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Lição 1 de 7 · 12 min · Conteúdo de conceito, não envelhece

O que é a IA (e o que não é)

No fim desta lição vais conseguir:

  • Reconhecer a IA que já usas no dia-a-dia sem dares por isso
  • Explicar por palavras tuas o que faz um modelo de linguagem
  • Distinguir a IA de um motor de busca, de uma base de dados e de uma pessoa

Já usas IA (provavelmente hoje)

Escreves no telemóvel «vou chegar atrasado ao bar…» e ele sugere «barco». Abres o tradutor para perceber o email de um turista alemão. Tiras uma fotografia ao teu neto e a câmara desenha um quadrado à volta da cara dele. A galeria do telemóvel junta sozinha as fotografias «da praia».

Tudo isto é inteligência artificial. Já a usas há anos, sem lhe chamares esse nome.

Exemplo

O corrector do telemóvel não tem guardadas todas as frases do mundo. Aprendeu, a partir de muitíssimas mensagens, que depois de «chegar atrasado ao» costuma vir «trabalho», «barco» ou «médico». Sugere a mais provável. Se tu escreves muito «barco», ele passa a sugerir essa primeiro.

Então o que é a IA?

IA é um nome largo. Serve para programas que fazem coisas que antes pareciam precisar de uma pessoa: reconhecer uma cara, perceber o que dizes ao telemóvel, traduzir, escrever.

Neste curso interessa-nos um tipo em especial: os assistentes de conversa, como o ChatGPT, o Claude, o Gemini ou o Copilot. Escreves uma pergunta, como numa mensagem, e eles respondem com texto. Por dentro, todos têm um modelo de linguagem.

Uma máquina que adivinha a palavra seguinte

A ideia principal cabe numa frase: um modelo de linguagem é uma máquina que adivinha a palavra seguinte, treinada com grandes conjuntos de textos e outros dados.

Imagina que lias milhões de livros, jornais, sites, receitas e manuais. Ao fim de tanto ler, se alguém dissesse «Era uma vez…», sabias muito bem o que costuma vir a seguir. O modelo faz isso, mas com mais texto do que uma pessoa leria em mil vidas.

Quando lhe pedes «escreve um convite para as sopas do Espírito Santo da nossa freguesia», ele não vai buscar um convite guardado numa gaveta. Escreve uma palavra. Depois escolhe a mais provável a seguir. E outra, e outra. Como aprendeu com tantos convites, o resultado parece escrito por alguém que percebe do assunto.

Dica

Guarda esta imagem: «adivinha a palavra seguinte». Explica quase tudo. Porque escreve tão bem. Porque às vezes inventa (vês isso na lição 3). E porque dá respostas diferentes se fizeres a mesma pergunta duas vezes.

O que a IA NÃO é

É aqui que mais gente se engana. Vale a pena ler devagar.

  • Não é um motor de busca. O Google procura páginas que já existem e mostra-tas. O modelo de linguagem escreve uma resposta nova. Alguns assistentes também conseguem ir à internet, mas isso é uma peça a mais, não o motor principal.
  • Não é uma base de dados. Não tem uma ficha com o horário da farmácia ou o telefone da junta. Se lhe perguntares, escreve o que lhe parece mais provável. Pode estar certo. Pode não estar.
  • Não «pensa» nem «sabe» como uma pessoa. Não tem opiniões, memórias nem vontade própria. Escreve como quem sabe porque aprendeu com textos de quem sabia. Às vezes acerta muito bem. Às vezes erra, com a mesma confiança.
  • Não é um robô. Não tem corpo nem anda pela casa. É um programa que corre em computadores, normalmente longe de ti, e responde quando lhe escreves ou falas.

Cuidado

Como escreve bem, parece que sabe tudo. Não sabe. Um texto bem escrito não é o mesmo que um texto verdadeiro. Nomes, números, datas e leis confirmam-se sempre noutra fonte. Na lição 3 vês porquê e como.

O que mudou nos últimos anos

Há IA há muitos anos. Uma parte era feita de regras escritas à mão por programadores, linha a linha. «Se o email tem a palavra "prémio" e um link estranho, vai para o lixo.» «Se a pessoa carregar no 1, passa para a contabilidade.» Funcionava bem nos casos previstos. Falhava em tudo o que ninguém tinha previsto.

Mas também há décadas que existem programas que aprendem com exemplos, em vez de seguirem regras (chama-se aprendizagem automática). Muitos filtros de spam e correctores de telemóvel aprenderam assim.

O que é novo é a escala e o texto livre. Os modelos de hoje aprenderam com quantidades enormes de texto e de outros dados. Escrevem respostas novas, em linguagem corrente, sobre quase qualquer assunto. A isto chama-se IA generativa: IA que cria coisas novas, como uma carta, um resumo ou a imagem de um barco ao pôr-do-sol que nunca existiu.

Exemplo

Dizes a um atendedor automático antigo «quero mudar a morada da conta da água» e ele responde «opção inválida». Dizes o mesmo a um assistente de IA e ele percebe o que queres, mesmo por outras palavras. Mas atenção: perceber o pedido não é o mesmo que ter acesso à tua conta da água.

Porque é que isto te interessa

Com esta ideia na cabeça, uma máquina que adivinha muito bem a palavra seguinte, já sabes onde ela ajuda e onde não deves confiar às cegas.

Ajuda muito a escrever e reescrever, resumir, explicar coisas difíceis por palavras simples, dar ideias e traduzir.

Não substitui a fonte oficial, o médico, o advogado, nem a tua cabeça.

Dica

Trata a IA como um colega muito lido, rápido e simpático, mas que às vezes fala do que não sabe. Aproveitas o que ele faz bem e confirmas o resto.

Exercício

Como sei que ficou bem uma lista com 3 ou mais exemplos teus. É normal encontrares mais do que esperavas.

Se não deu

Se não encontraste nenhum, procura no telemóvel. Abre uma mensagem e escreve devagar: as palavras sugeridas por cima do teclado são IA. Abre a galeria e pesquisa «praia» ou «cão»: se aparecerem fotografias certas, foi a IA que as reconheceu. Se o teu telemóvel for mais antigo, pode não ter estas funções. Não faz mal: o objectivo é só reparares.

Vídeos

O que é Inteligência Artificial? - @CursoemVideo Inteligência Artificial
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O Curso em Vídeo explica em 8 minutos o que é a IA, quando surgiu o conceito e como já está presente no dia-a-dia sem darmos por isso.
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A IBM distingue em 10 minutos IA, machine learning, deep learning e IA generativa, o que ajuda a perceber o que a IA é e o que não é.

Testa o que aprendeste

1. A tua vizinha diz: «Perguntei à IA o horário da farmácia de serviço e ela respondeu, por isso está certo.» Qual é a melhor reacção?
2. O teu neto diz que a IA «pensa como nós e sabe tudo». Qual é a explicação mais correcta que lhe podes dar?
3. Qual destas tarefas é um bom primeiro uso de um assistente de IA?

Correcções a esta lição (1)
  • : Depois de uma revisão externa: o treino passa a ser descrito como «grandes conjuntos de textos e outros dados» (e não «quase tudo o que está escrito»); a secção sobre a IA antiga reconhece que a aprendizagem a partir de exemplos já existe há décadas; a explicação da pergunta 1 diz que não podes assumir que a IA consultou uma fonte oficial; as opções do quiz foram reordenadas.